O que é limerência?

Talvez você nunca tenha ouvido falar da palavra limerência ou limerância, mas se chegou a este blog, é provável que já tenha sentido o fogo desse sentimento avassalador. Talvez você se identifique mais com o termo mais próximo em português, e talvez equivalente na linguagem popular: paixonite, com as variantes paixonite aguda ou síndrome de paixonite aguda.

O termo limerência foi criado psicóloga norte-americana Dorothy Tennov, e aparece em 1977 no livro Love and Limerence: the Experience of Being in Love (Amor e Limerência: A Experiência de Estar Apaixonado, em tradução livre). O termo oferece “um contorno especial ao domínio semântico do amor”, diferenciando a emoção dos sentimentos do amor e da paixão, como experienciados pela maior parte das pessoas “normais”.

O conceito resulta de pesquisas conduzidas nos anos 60, quando ela entrevistou mais de 500 pessoas sobre o amor, e concluiu:

Limerência é um estado cognitivo e emocional involuntário que resulta de um desejo romântico por outra pessoa (objeto da limerência) combinado por uma intensa, avassaladora e obsessiva necesssidade de se ter o sentimento correspondido […]

[…] um estado involuntário interpessoal que causa um desejo agudo de reciprocidade emocional; pensamentos, sentimentos e comportamentos obsessivo-compulsivos e de dependência emocional de outra pessoa.

É importante notar nessa apresentação do termo que trata-se de um estado involuntário, ou seja, não depende da vontade da pessoa afetada, não é intencional – a pessoa não tem escolha, ela funciona assim. O importante é aprender a viver com a limerência, se aceitanto, mas estando consciente que é um distúrbio.

Sintomas

Os sinais e sintomas são bem parecidos com o de paixão, com a diferença que enquanto a paixão é normalmente de curta duração, na pessoa limerente eles duram muito mais, podendo levar anos ou até mesmo tomar a vida inteira de uma pessoa. Além disso, a compulsão e obsessão com o que os pensamentos sobre a pessoa eleita ultrapassam os padrões de normalidade uma vez que chegam a atrapalhar o funcionamento normal da pessoa. Outra diferença é que pessoas afetadas parecem ter os sintomas exacerbados por adversidades ou impossibilidade de consumação.

Bioquímicos:

Liberação, pela glândula pituitária sob o comando hipotálamo, de noreadrenalina, dopamina, feniletilamina (uma anfetamina natural), estrogênio e testosterona. Esse coquetel funciona como uma droga no cérebro.

Psicológicos:

  • Pensamentos intrusivos e obsessivos (semelhante ao transtorno obsessivo-compulsivo)
  • Oscilação de humor a depender da percepção de reciprocidade da parte outra pessoa
  • Medo da rejeição, incerteza;
  • Esperança injustificada;
  • Fantasia incessante;
  • Confusão mental;
  • Timidez;
  • Êxtase

(No início, antes de conhecer bem a pessoa, eu fico uma idiota, não consigo nem falar coisa com coisa!)

Físicos:

  • Dor, opressão ou aperto no peito
  • Alteração do ciclo de sono;
  • Estômago “revirando”;
  • Dilatação da pupila;
  • Mudança no apetite;
  • Coração acelerado;
  • Palidez ou rubor;
  • Fraqueza geral;
  • Gagueira;
  • Tremores;
  • Náusea;
  • Rubor;

(A sensação no meu peito é como na síndrome de coração partido)

Como detectar:

1. Surge de forma brusca e involuntária.
2. Pensamentos incontroláveis e invasivos sobre a pessoa amada.
3. A idealização das características da outra pessoa, seja de maneira positiva ou negativa.
4. Uma timidez extrema e confusão diante da outra pessoa, com pulsação rápida, suor, rubor facial e tremores, entre outros sintomas físicos.
5. Medo de rejeição, que podem levar ao desespero e a pensamentos suicidas.
6. Uma euforia extrema quando a outra pessoa também demonstra interesse.
7. Fantasias de encontros com a pessoa amada.
8. Lembrar da pessoa a todo instante e durante todas as atividades.
9. Mudar os horários de forma a forçar encontros com a outra pessoa.
10. Reproduzir na mente repetidamente os encontros com o outro.

Tratamento:

Tenho cá para mim que a limerência não tem “cura”, posto que não é uma doença, mas um padrão psicológico: é assim que o corpo e mente da pessoa foram programados desde a infância. Acredito, porém, que é possível aprender a conviver com a limerência, e quem sabe até transformar a energia que ela evoca em algo construtivo.

As formas de “tratamento” sugeridas abaixo são, portanto, para ajudar a lidar com os sintomas indesejáveis, como fantasias e devaneios, pensamentos intrusivos e desgovernados, e fazer com que você, e não a limerência, esteja no leme de sua vida:

  • Meditação: Ajuda você a aprender a domar seus pensamentos e a disciplinar a mente. Além disso, fortalece a sensação de paz interior, independente de fatores (ou pessoas) externos, onde você pode se refugiar em momentos difíceis;
  • Psicoterapia: Ajuda você a entender seus padrões de comportamento, lidar com seus sentimentos e a desenvolver mais autonomia, auto-confiança e força de vontade para evitar conscientemente situações indesejáveis;
  • Arte-terapia: Procure extravasar as emoções por meio da criatividade e auto-expressão. A limerência inspira muita música, poesia, literatura e arte em geral – as grandes histórias de amor têm um pingo de tragédia limerente. Não desperdice a sua!
  • Médico: Procure imediatamente ajuda médica caso esteja com pensamento suicida, ou os sintomas de transtorno obsessivo-compulsivo estejam muito fortes. Alguns medicamentos podem ser receitados para aliviar os sintomas.
  • Diário: Documente a sua limerência. Em público, como esse blog, ou privado, escrever um diário é uma forma de acompanhar o seu processo e notar os padrões que dominam o seu pensamento e coração. A partir daí, você pode fazer escolhas mais saudáveis.
  • Pesquise: No mais, pesquise sobre o assunto, leia, aprenda, converse com outras pessoas que também passam por isso. Quanto mais você entender os mecanismos de sua psique, mais em controle de sua vida você estará.

*

Com informações da Wikipédia, Investigação Discovery, e minha experiência

Anúncios

Obrigada por comentar!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s